Férias em França - 07-10-2010 - dia 6: Eus


Eus é mais uma aldeia incluída na classificação “Les plus beaux villages de France” – fica situada no departamento dos Pyrénées-Orientales a 45 Km a oeste de Perpignan, numa encosta virada a sul. Um 1 Km de Marquixanes, Eus encontra-se à direita na National 116 a 387 m de altitude na encosta de um monte que liga Perpignan a Prades. 


A aldeia alcantilada na encosta virada a sul - por isso conhecida pela aldeia mais soalheira de França tem um atractivo centro medieval dominado pela Igreja de São Vicente, claramente construída com fins defensivos, entre 1726 e 1743 no local da antiga capela do castelo Notre-Dame de la Volta.   

Eus é uma região de árvores de fruto principalmente pessegueiros, mas também nespereiras, macieiras, pereiras e oliveiras. Nos terrenos aluviais do Têt, a agricultura desenvolveu-se desde há séculos. Por outro lado a grande parte dos terrenos da montanha, foram outrora cultivados como testemunham os socalcos da paisagem. Hoje em dia estes terrenos são usados para pastagem de ovelhas e vacas. Os criadores de gado usam estes espaços para os animais, o que é vantajoso já conduz à limpeza dos terrenos outrora muito vulneráveis a incêndios.


Férias em França - 06-10-2010 - dia 5: visita à Abadia de Fontfroide


A Abadia de Fontfroide, fica isolada num vale do maciço de Corbières, e é uma das maiores abadias cistercienses de França cujos edifícios, são herança dum passado monástico virado para a oração e o trabalho. Os monges da Abadia tiveram igualmente um importante papel na luta contra os catares, representando a ortodoxia contra a heresia. Actualmente já não resta a vida monástica, apenas os edifícios magnificamente bem conservados cujas paredes ainda vibram com as numerosas manifestações que aí se desenrolam.


Em 1901 a comunidade religiosa de Fontfroide exila-se em Espanha, no mesmo dia (1 Julho) que entra em vigor a lei sobre as congregações religiosas, que estipula que nenhuma congregação religiosa se pode formar sem uma autorização dada por uma lei que determinará as condições do seu funcionamento, e será sujeita ao controle dos prefeitos. Votada ao abandono a Abadia será adquirida em 1908 por Gustave e Madeleine Fayet.
Artista coleccionador, proprietário vitivinícola Gustave Fayet (1865-1925), torna-se em 1908 proprietário da Abadia de Fontfroide onde inicia grandes restaurações e decorações. O seu trabalho de artista é importante e variado, indo da pintura a óleo à arte decorativa passando pela cerâmica, a aguarela ou ainda a ilustração de livros.  


As vinhas, tal  como as pedras da Abadia de Fontfroide, são testemunhos imutáveis da passagem dos séculos. Todos os dias  de segunda a domingo, o sommelier da abadia mostra aconselha e oferece para degustação os vinhos de Fontfroide. Uma gama variada única que desperta os sentidos.
A Abadia tem instalações para acolhimento de eventos como reuniões de trabalho, congressos, seminários ou outras recepções, num local fora do comum onde a beleza arquitectural se alia ao conforto moderno.
A Abadia de Fontfroide oferece ainda  ao visitante onde comer – o antigo estábulo é hoje o restaurante - "La Table de Fontfroide" e onde pernoitar,  na casa da ponte.

 

Férias em França - 06-10-2010 - dia 5: Carcassonne


A Cidadela de Carcassone localiza-se no actual município de Carcassone, no departamento de Aude,  região de Languedoc-Roussillon,
Em posição dominante na margem direita do rio Aude, a Sudeste da moderna cidade, constitui-se um conjunto arquitectónico medieval, inscrito na lista do património mundial da Unesco desde 1997.
A primitiva ocupação do sítio da cidadela de Carcassonne, no cruzamento do caminho entre Toulouse e Narbonne e do que corre ao longo do Aude, remonta a povos Celtas, Galo-romanos e Visigodos. As fundações das suas casas e muralhas retratam com clareza essas sucessivas ondas civilizadoras.
Durante a Idade Média foi defendida por um imponente conjunto de fortificações, ficando circundada por uma dupla linha de muralhas, que ainda hoje pode ser vista, e representa o ápice da engenharia militar do século XIII. O traçado irregular de suas ruas estreitas contrasta com a magnificência das muralhas e do castelo guarnecido por 59 torres e barbacãs, poternas e portas
Foi restaurada por Violet-le-Duc que lhe conferiu o actual aspecto.
Ao final do século XIX, o conjunto estava praticamente abandonado, quando foi redescoberto por turistas ingleses.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidadela foi usada como campo de prisioneiros.


Situada no coração do triângulo Toulouse-Montpellier-Barcelone, no cruzamento de duas grandes vias de circulação que remontam à Antiguidade: do Atlântico ao Mediterrâneo e do maciço Central aos Pirenéus onde nasce o l’Aude, Carcassonne espalha-se nas planícies do vale do Aude convidando o visitante a vários circuitos: desde o histórico ao gastronómico ou vitivinícola passando pelos circuitos bucólicos.

Os traços humanos mais antigos remontam ao séc VI a.C. foram descobertos no promontório onde se situa a cidadela. Na Primavera de 725 os Sarracenos tomaram a cidade donde foram expulsos em 759 por Pepino o Breve, rei dos Francos. Após a morte de Carlos Magno o desmembramento do seu Império dá origem à época feudal. É com a dinastia de Trencavel de 1082 a 1209 que a cidade atinge o seu esplendor.
Neste período fausto o catarismo (ver em baixo a história do Cátaros) desenvolve-se rapidamente. Raymond Roger Trencavel visconde de Carcassonne (1194-1209) tolera e protege a heresia nas suas terras. Sofrerá o embate da cruzada do Papa Inocêncio III e a 15 de Agosto de 1209 após 15 dias de cerco, tudo acaba. A cidade e as terras de Trencavel serão entregues ao chefe militar da Cruzada Simon de Monfort e mais tarde em 1224 cedidas ao rei de França.


História dos Cátaros

Eles afirmavam que Jesus não era filho de Deus e defendiam a igualdade entre mulheres e homens.
A religião nascera do cristianismo, mas era marcada por profundas diferenças em relação às doutrinas do Vaticano. Acusados de heresia e até chamados de adoradores do diabo, os cátaros provocaram uma implacável reacção do papado. O esforço para eliminá-los incluiu uma cruzada e foi um dos principais motivos para a criação do Tribunal do Santo Ofício – mais conhecido como Inquisição.
No século XIV, cerca de 200 anos após o catarismo ter surgido, os seus últimos representantes foram varridos do mapa. Para entender a intensidade da violência promovida pela Igreja Católica contra eles, é fundamental compreender como os cátaros foram capazes de conquistar os corações e as mentes medievais. E sua brutal eliminação é um dos exemplos mais bem acabados do incrível poder do papado sobre a Europa da Idade Média.

O primeiro grupo cátaro conhecido apareceu na década de 1120, na cidade de Limousin. Logo chegaram a povoados próximos, como Albi, Toulouse e Carcassonne, sempre no Languedoc. A região, separada do resto do território francês pelas montanhas dos Pirenéus, era governada pela dinastia dos Raimundos. Eram terras prósperas, fortes na agricultura e na indústria têxtil. À primeira vista, seria difícil prever que num local tão estável – e religioso – pudesse surgir uma crença que desafiasse a Igreja.
Para os cátaros, o livro sagrado era a Bíblia (em particular o Novo Testamento). A sua religião, entretanto, divergia muito do catolicismo. O princípio fundamental era o dualismo: segundo ele, o mundo seria composto por dois reinos opostos e coexistentes. O primeiro, comandado por Deus, seria invisível e luminoso, onde só existiria o bem. Já o segundo reino, material e visível, seria controlado pelo diabo. Noutras palavras: segundo o catarismo, o inferno ficava na Terra. E o objectivo da vida humana seria escapar do mal através da purificação dos espíritos, reencarnação após reencarnação. Se isso fosse feito, quando chegasse o Juízo Final, todos se salvariam e iriam para o reino de Deus.
Apesar de se considerarem cristãos, os cátaros não acreditavam que Jesus fosse filho de Deus. Ele era apenas considerado um profeta importante, que tinha divulgado alguns ideais que mereciam ser seguidos. Para completar a afronta ao catolicismo, os cátaros viam São João Baptista como nada menos que um instrumento a serviço do diabo. Afinal, por meio do baptismo, ele teria cumprido a profecia de que Jesus era o Messias – coisa na qual, como vimos, o catarismo não acreditava.
Em 1208, o legado papal (figura máxima da hierarquia da Igreja na região, representante directo do pontífice) Pedro de Castelnau foi morto por alguns habitantes de Toulouse. Logo correu a notícia de que os assassinos eram, supostamente, cátaros. Inocêncio III teve, então, a deixa de que precisava. A 10 de Março, organizou uma cruzada liderada por Arnoldo de Amaury e pelo bispo Folquet de Marselha. No campo de batalha, o comando coube a Simão de Montfort, à frente de um exército com 10 mil homens.
Além dos cátaros, o alvo da cruzada foram os principais nobres que davam protecção a eles: o conde Raimundo VI de Toulouse e o visconde Raimundo Rogério de Trencavel. O primeiro grande ataque, em Béziers, surpreendeu pela violência intensa e indiscriminada. Cátaros e católicos, Prefeitos e padres, não importa: todos foram massacrados pelos cruzados.

Estima-se que, em Béziers, nada menos que 20 mil pessoas tenham sido mortas – praticamente toda a população da cidade. Depois disso, os cruzados destroçaram Carcassonne, Bram, Minerve, Termes e Lavaur, ignorando quaisquer tentativas de rendição. Como recompensa pelo extermínio dos hereges, os cruzados ganharam o perdão pelos seus pecados – e puderam repartir entre si as riquezas e terras do Languedoc. A carnificina só parou em 1229, quando foi celebrado o tratado de paz de Meaux-Paris, entre Raimundo VII de Toulouse e o rei Luís IX da França.


Férias em França - 05-10-2010 - dia 4: visita falhada a St. Martin du Canigou


A abadia de S. Martin du Canigou situa-se nas encostas do Monte Canigou (Pirenéus Orientais) e apesar de estar a apenas 45 min. de Perpignan parece estar num mundo aparte. E isso expressa-se também em termos físicos - chega-se por estrada até à pequena vila de Casteil onde encontramos um pitoresco parque de estacionamento, que lembra um pomar….aí no nosso caso deparámo-nos com dois factos impeditivos: o caminho que leva à abadia, a partir desse ponto é pedonal, o cartaz junto à subida informa que é uma distância de 1600m com um desnível de 300m e que demora entre 30 a 50 min consoante claro a capacidade física do visitante…. (existem veículos 4X4 que levam os turistas até lá).
Embora estivesse estoicamente decidida a fazer tal caminhada, surgiu um 2º facto: Na abadia só há visitas guiadas que começam às horas indicadas no dito painel que prudentemente está colocado no inicio da caminhada, e que no nosso caso  (de 1 de Outubro a 31 de Maio), de tarde,  eram às 14h, 15h e 16h….chegámos às 16h 10m.
Outra nota que salientam – não há nenhum local para beber água na subida.

Acrecescento outra curiosidade: que aliás se nos depara em toda a França – as visitas são em Francês. Existem folhetos auxiliares para a visita em 8 línguas (catalão, inglês, alemão, espanhol, holandês, italiano, dinamarquês e polaco)
Como se vê não adianta muito o português ser a 4ª língua mais falada do Mundo, se os falantes em português não fazem turismo!!!!




NOTA: Embora o objectivo deste meu blog sejas mostrar apenas imagens minhas (as minhas vistas imprevistas que me surgem no dia a dia) não resisti à tentação de mostrar uma imagem desta bela Abadia que já na minha visita à região em 2002 me chamou a atenção, embora nessa altura tenha também ficado pela compra de postais.

Férias em França - 05-10-2010 - dia 4: Villefranche de Conflent


Villefranche é uma cidade medieval do século XI fortificada por Vauban no séc XVII. Situa-se no coração dos Pirenéus no sopé do Monte Canigou é está classificada como uma das “Mais Belas Aldeias de França”. Villefranche é um dos 14 locais Vauban listados pela UNESCO.
Desde 7 de Julho 2008 as fortalezas de Mont-Louis e de Villefrance-de-Conflent  fazem parte do Património Mundial da Humanidade catalogado pela UNESCO. Vauban, engenheiro francês ao serviço do rei Louis XV foi ao mesmo tempo militar, arquitecto, grande viajante e observador do seu tempo. Edificou em toda a França uma grande quantidade de fortificações chamadas “correia de ferro”. Dentro das muralhas as ruas estreitas albergam hoje em dia lojas pitorescas  e  de artesanato de vários tipos… Actualmente Villefrancje é uma cidade turística onde caminhar pelas suas ruas e descobrir os artesãos que ainda mantêm as tradições, é um convite a viajar no tempo.



Em 1902 o conde de Cerdanya, Guillaume Raymond decidiu construir uma cidade na confluência de 3 rios, o Têt, o Cady e o Rotja de modo a proteger os vales das invasões. No mesmo ano o Bispo de Elne deu permissão para a construção da Igreja de St Jacques.
Em 1095 a nova cidade foi chamada de VILA FRANCA pelo conde de Cerdanya. Os privilégios de impostos auferidos a Villefranche levaram à instalação de muitos ofícios diferentes: tecelões, tanoeiros, ferreiros e mercadores.
Em 1277 direitos exclusivos de mercado são concedidos para a venda de carne, peixe e vegetais na Praça da Igreja.
Em 1654, o Tratado dos Pirenéus leva à divisão da Catalunha em Catalunha do Sul e Catalunha do Norte (actualmente o departamento dos Pirenéus Orientais)
Em 1681 Vauban constrói o forte Liberia e remodela Villefranche tornando as muralhas mais altas. Ele supervisiona a construção de casernas, um hospital, torres de vigia, armazéns de pólvora e a demolição do convento franciscano da cidade.
A partir do séc XVIII até à actualidade e sob ordem de Luís XVI (1783) os estreitos portões foram alargados e construída uma ponte levadiça. No séc XIX, Napoleão III ordena várias construções que incluem uma escadaria subterrânea “ de 1000 degraus” que liga Villefranche ao Forte Liberia com na realidade 775 degraus a partir da Ponte St Pierre uma ponte romana.

Férias em França - 05-10-2010 - dia 4: manhã na praia em St. Cyprien


St. Cyprien engloba na realidade 3 praias - Norte Centro e Sul (também conhecida por praia da Laguna). A zona Norte e Sul são estreitas faixas de areia que se estendem por quilómetros. A paria Norte é a melhor, maior e com melhor areia que a do sul. A parte central é a zona comercial, com muitas lojas e restaurante, que resulta na perda de ambiente e beleza. Como todas as praias desta zona (Perpignan) é muito ventosa graças as ventos conhecidos por Tramontana, muito apreciados pelos kitesurfers. E claro que a vista para os Pirenéus dão à praia uma atnosfera única.......

Férias em França - 04-10-2010 - dia 3: Castelo de Quéribus


O Castelo de Quéribus ergue-se a 728 m acima do nível do mar, isolado no topo do pico mais alto da montanha que o rodeia. Localiza-se próximo da vila de Maury, na comuna de Cucugnan, no limite entre os departamentos de Aude e de Pyrénées- Orientales, na região do Languedoc-Roussillon.  
É considerado por alguns autores como o último baluarte Cátaro. Após a queda do Castelo de Monségur em 1244, os sobreviventes Cátaros reuniram-se neste outro baluarte, no alto da montanha, na fronteira com o reino de Aragão (actual fronteira entre o Aude e o Pyrénées-Orientales).



Em 1255 um exército francês foi enviado para liquidar estes  Cátaros remanescentes, mas eles evadiram-se sem luta, provavelmente para Aragão ou para o Piemonte - duas regiões onde as crenças Cátaras ainda eram comuns, e onde a língua occitana ainda era falada.
O Castelo de Queribus é um do "Cinco filhos de Carcassonne", junto com o de  Aguilar, o de Peyrepertuse, o de Termes e o de Puilaurens: cinco fortes estrategicamente erguidos para defender a nova (1659) fronteira francesa contra a Espanha.
Foi listado como monumento histórico pelo Ministério francês da Cultura desde 1907. Encontrando-se em ruínas, foram promovidos trabalhos de restauração no seu torreão, em 1951.
Mais recentemente, entre 1998 e 2002, foi objecto de uma extensa campanha de restauração, tendo-se tornado um ponto de visita turística.



 
Os Castelos cátares tornaram-se um símbolo das movimentadas histórias do Languedoc, as cidadelas cátaras são um património comovente devido à sua história trágica e ao esplendor dos locais. Picos rochosos desolados, colinas áridas e solitárias, foram chamadas de ‘cidadelas de vertigem'.
- O castelo de Peyrepertuse
Edificado sobre uma enorme crista rochosa, a qualidade de suas construções o tornam o conjunto mais importante e o exemplo mais notável de arquitetura militar.
- O castelo de Quéribus
O castelo, construído sobre um impressionante pico rochoso (728m), foi a última ilha de resistência da cruzada contra os albigenses (1255).

Férias em França - 04-10-2010 - dia 3: Castelnou


Castelnou - classificado com um «des plus beaux villages de France»




A aldeia de Castelnou é um dos lugares mais fabulosos para descobrir na Catalunha francesa, juntamente com mais 5 outras aldeias do departamento, está icluida na classificação " as mais belas aldeias de França"
A pequena aldeia com o seu castelo ducal tem como pano de fundo o pico do Canigou montanha mítica de todos os catalães (2784,66 m )....podemos deixar-nos levar pela imaginação e recuar à época em que Castelnou era a capital do condado de Vallespir...